terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Esfinge de mim

Saber o que?
Fazer pra onde?
Estar aqui...
Não tem pra quê.
Se sei que sou,
Faça algo disso você!

Por que eu não sei o que,
Nem onde ser,
Ainda assim, aqui estou,
Não quero ter que,
Do que sou, disso não sei!
E quem é você?

Achar que sabe,
Descobrir que não,
Isso é estar aqui,
Achar que as coisas tiveram que,
Tentar ser,
Tornar-se o que se é pra ser...

Quando souber
Fazer, farei!
Explicarei o estar aqui,
Terei algo, uma coisa,
De mim pra vocês,
Serei por todos!

Saber o que?
Aonde tem?
Estaremos aqui?
Algo tem que?
Quem sabe o que é?
Por que pra quês?

Outra fantasia, pra mais um pouco



Acho que vou morrer sem saber.

Você não se pergunta?

Na prática, o ceticismo não vende bem e a fantasia expulsa o nada, porém, na certeza, a fantasia é imaginação e o ceticismo a ferramenta da verdade.

No final a verdade de tudo se mostra sempre ser o nada.

A mim, tudo, e isso inclui eu e você, parece ser como o solo lunar: aparentemente belo e misterioso mas, quieto, sem significado, e igual ao resto: de silhueta desenhada por pancadas que vêm do espaço, do nada, sem motivo algum e para nada, com a unica história de existir por acidente, e com o único destino de desaparecer um dia.

Existir, o tédio à espreita do milagre.

Fazer o quê?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os Animais Guerreiros

Pra mim é de dizer que
há quem, sem vergonha, chamaria por "Ei aninal estúpido,
passivolóide!"
"Ei você."
Não por nada, mas por que simples assim
tira olhos de gato e põe em ti.
Olha o animal guerreiro e olha pra ti.

Vê o cão, esse cão, qualquer cão, és tal que
esse cão te pareça ridículo, talvez...
O latido do cão porém não falha
onde lhe desagrade.
Este você a quem sequer cabe em figura
a coragem de passarinhos guerreiros
se enfrentando de manhã cedo, em pleno voo, cantando para quem
quiser, ou não, ouvir, observados pelo gato, pelo pato e pelo trem.

Quem é você, desadaptado já tão cedo?
Talvez alguém saiba, monte crença ou viva a suspeitar
que te faltou brincar quando filhote.
Não te esquece das formigas que não tardam
em, com garra e força, de sol a chuva,
carregarem os teus restos adiante do caminho.

Destino, único teu, é boca de verme?
Ou te aumentará em lembrança,
a relevância, algum exemplo sagaz...
Imagino, cá de traz de meus olhos, em miolos,
me desdobrando em desenrolos de acaso,
que faço de mim.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dois corpos nus se amam,
Suor, saliva e sexo.
Olhares e palavras.
"Vou te ver de novo?"
Para quê?
Para quando?
Para onde?
Mais uma vez.

domingo, 23 de setembro de 2012

Existindo por aí...

Ver o vento ao som dos pássaros.

Sair dos campos de concentração.

Passar com as nuvens.

Fazer o que der vontade.

Já tem um objetivo na vida?

Da vida eu quero só é realizar os meus processos químicos numa boa.

Ficar na grama energizando de sol, comer laranja e deu.

É que cansei de buscar sucesso, que sei eu de sucesso?

Que ser isso?


terça-feira, 31 de julho de 2012

O agarra-mundo




Que o mundo fosse plano
Reto, e terminasse logo ali
E que era o cuidado
Pra não cair.

Ou que o mundo fosse o plano
De Deus, a obra
Do acaso, talvez,
de átomos.

Que fosse o mundo isso,
Ou fosse o mundo aquilo,
E que possa ser ainda
Algum outro
Melhor...

Melhor é olhar o mundo,
Sorve-lo,
Fluir com ele,
Na dúvida...

Vai saber.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Homem é o único bicho que dança

As pessoas daqui, a  maioria delas, precisam de algo para sentir,
um jantar, uma viagem, um drama ou
um exílio.
Precisam que algo como a saudade irrompa
impossível de fazer-se calar, como dor.
Precisam de algo para sentir.
As pessoas daqui não percebem que da pra sentir cada momento,
ao contrário,
elas querem que o momento passe por que elas fazem dos momentos
uma chatisse.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Homem Comtemporêneo

Egoísta, niilista, dúvida até de suas vontades.
Um impulso eletrônico de alta voltagem.
São imagens, são idéias, são viagens.
E pelo meio vem quebrando e atravessando tudo o que ele é:
Compromissos com a coletividade.
A lei. A consciência tranquila. 
Ilusão de sanidade.

Rotina de um assalariado

Hoje eu não vou acampar
Não vou tomar banho de piscina,
Nem fazer sexo.
Tão pouco conhecer alguém, nem flertar.

Hoje eu definitivamente não vou dar um jeito
Na casa
Muito menos visitar alguém.

Hoje eu vou sair do trabalho e ir pra casa,
Comer, tomar um banho, e relaxar os músculos das costas
E das pernas.

Depois adormecer
tentando achar o fio
da meada.

Irracional

Durante uma discussão uma pessoa diz à outra:
- Veja bem, eu quero que você entenda...
Ao que ela interrompe:
- Veja bem VOCÊ, eu quero que VOCÊ entenda que eu NÃO quero entender.
Isso é amor.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Vibrações Stoner

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Fotos tiradas pela amiga Natália numa tarde dessas, em Pelotas, no quadrado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dois Problemas

Quem dera fosse uma porta
E não criasse expectativa
E pudera pender morta
Só ficasse ali não viva
Os amores e alegrias
Cá em vida não têm a ver
Antes dores e agonias
Já dizia Schopenhauer
O leitor desculpe forçar a rima
Não sou poeta, eis um problema
Mas paciência, entra no clima
Que eu conto o outro dilema
Quem me conhece sabe que minto
Quero mesmo é sorrir
Que o pranto cesse. E o que sinto
Está escrito a seguir
Se disse querer a morte
Foi por conta de um desejo
De ser feliz, de ter a sorte
Que sem mais se foi ao brejo
A vontade não tem jeito
Triste é o bicho desejoso
Essa bandida em seu peito
O torna brabo e penoso
Eu queria ser poeta
E brincar com as palavras
Escrever em linha reta
E troçar das coisas brabas
Pra não me chamarem de prolixo
Ou até de desatento
Vou deixar aqui bem fixo
Os dois problemas que apresento:
O primeiro é o de poeta
Para tal não levo jeito
Porém essa é a meta
A que em vida fui eleito
O segundo é o da vontade
Que faz de nós humanos
Pois tu sem dificuldade
Me encontra a fazer planos
Sou escravo da vontade
Com ela eu namoro
Sou escravo alforriado
Longe dela é que eu choro
Também sou equilibrado
Não me entrego assim ao vício
Na virtude sou honrado
Mas a vontade é meu ofício
Água fresca e sombra boa
E a morena do meu lado
Se eu mudar estou perdido
Pra essas coisas fui gerado
E se me encontro impedido
De beijar a minha amada
Ou de gozar a liberdade
Escrevo coisas para cada
Eu cortejo à vontade
E como são belos os meus gestos
No papel, de madrugada
Me da vontade de escrever
Escrevo a vontade impedida
E se ninguém gostar eu choro
E escrevo a lágrima caída
Eu sigo duelando
Eu duelo com caneta
É a vontade me chamando
É eu querendo ser poeta
Os dois problemas se misturam
E solucionam um ao outro
E esses dois circulos circulam
E circundando a minha vida
São problemas e não são
São dois pontos
De chegada e de partida
De manhã ela acorda
Pra saber que eu não dormi
Abro a capa pela borda
E mostro a ela o que escrevi
Ganho primeio um sorriso
E depois um beijo doce
Ando descalço pelo piso
E vou como se tivesse a posse
Do segredo do enigma
Não dos dois problemas lá do título
Que agora são sofismas
Mas do grande teorema
De o que se fazer da vida

domingo, 2 de janeiro de 2011

A felicidade dita por um rosto de cenho franzido.

Feliz é o homem que sobre a terra prova do amor.
Feliz, é aquele que faz valer os esforços, que sabe esquecer de tudo e largar-se ao momento, a sombra e aos afetos.
Feliz é aquele que ri.
Feliz é o homem que sobre a terra se debruça; e não sobre as nuvens da imaginação.
Feliz é a batalha, a atividade é a própria felicidade.
Feliz, acima de tudo, é aquele que ignora.

domingo, 31 de outubro de 2010

Ensaios pós-namorísticos


Apresento hoje 3 ensaios de uma série com a temática "pós-namoro".

(Trilha sonora recomendada: Kid A - Radiohead e How to desapear completely - Radiohead)
 
[Sem titulo]

É uma tatuagem que deu errado, ou mais, membros amputados.
- É filho, a sua coluna não funciona mais, você sobreviverá, sem as pernas.
Você sabe das conseqüências.
O mundo segue. O céu ainda é azul, profundo e lindo, mas sua disposição de espírito falha.
É trágico.
Um animal ferido abandonado à intempérie.
É o nosso amor ferido e abandonado por nós.
Em breve será outro mês e depois outro ano, e pro mundo será como se ele jamais tivesse existido, e só nos restará uma mágoa, um sem-volta.
Caiu e rachou, nós escolhemos não juntar, não consertar.
O fim devia ser como uma bomba, algo irreversível, que acabasse com tudo, mas é uma dor que dura, e que volta, um remorso, angústia.
A agulha mais fina dói como a brasa mais quente.
Esqueço e sigo, mas sempre sou pego nesta armadilha metafísica dos meus sentimentos que é inquebrantável pela razão.



Saudades numa tarde

Assistindo um filme no pc. O celular chama. Pára o filme e vai atender. É só um amigo. Queria saber um número de telefone. Certo. Tchau. Deita-se na cama. O sol bate nas janelas fechadas. O som de um ônibus que passa lá fora, na esquina, anuncia que o mundo continua. O mundo não espera sua ferida curar. Pensa bem e vê que tudo vai estar bem de qualquer jeito. Se der e se não der, um jeito vai ter que se dar. Se não, tudo bem também. O jeito que for será um jeito, pois o jeito se dá. Assim ele tenta se consolar. Mas logo a coisa se repete: “Do jeito que ta, não da.”
Essa dor não é como uma chama: avassaladora. É como uma brasa, que queima sempre. Que dura. E dura. Arde. Quieta e silenciosa. Ele esquece da brasa, mas a brasa é só o que sobra quando o silêncio soa. Quando se encontra consigo mesmo, vê que o seu si esta enfermo.
Pensa nas coisas que divertem e nada é desejado. Está enfermo. Não quer remédio, não quer cachaça, não quer ver o amigo, não da bola pra moça que se engraça.
Tenta dormir, mas há travesseiros demais na cama e uma pessoa a menos.
Quando pensa e percebe que são lamentações pára: “Lamentações, que vergonha! Ou se age ou não se lamenta”. O dia já começou. Que que se vai fazer? A ausência dela é uma presença forte entre ele e a solidão. Entre ele e a multidão. Em qualquer lugar, tudo lembra. “Não vai ser bom” – ele pensa, “o que quer que aconteça”.
 

Um fantasma

Criei este fantasma aleijado e a dor dele é a minha. Ele me assombra, este espírito que vaga perdido, é como um filho que abandonei. Por mais que repita que não há culpados, que as coisas são assim mesmo, não parece certo, nem bom.
Não acaba com a vida, ela segue, mas, torna alguns momentos miseráveis. E o que se vai fazer?
Assombra-me o fantasma terrível de um amor que não teve jeito, um amor que insiste em existir mesmo que não funcione.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Morrostock 2010


O dia amanheceu diante de mim.
O festival de rock ainda ia durar dois dias.
Estava no meio do campo, minha barraca havia inundado com a chuva, não haveria onde descansar, cobertores e roupas molhados.
Sentia-me fraco e desamparado.
Não parecia haver grandes perspectivas.
Pensei nos caras que vivem na cidade sem um teto.
Resolvi não me deixar abater, levantei e fiz de conta que não era nada, estendi minhas coisas ao sol e segui.
Às onze da manhã de sábado minhas coisas já estavam secando e eu já estava novamente no clima do festival, algumas pessoas recém acordavam para ver todas as suas coisas molhadas. Eu já não era a maior vítima da chuva. Já estava bem adiantado até, com as coisas secando e a barraca limpa enquanto a maioria recém desentocava.
Fiz mais amigos.
À noite bebi absinto em volta de uma fogueira.
Um cara dormiu no chão, na grama molhada, no frio, muito bêbado, vomitara, achei que ele fosse morrer ou algo assim, depois ele sumiu, os amigos dele ficaram apavorados, e mais tarde ele apareceu conversando com uma garota.
Maconha, álcool, lsd... Havia de tudo.
Várias pessoas tinham ido sem conhecer ninguém por lá. As pessoas eram simpáticas e solidárias. Ninguém parecia ter preconceitos.
Foi uma pena ter encontrado com a garota que foi para fazer par comigo só no último dia. Nos conhecemos lá pelas três da tarde. Ela se parecia com a Regina Spektor. Estava saindo de perto de uns amigos e andava como se me esperasse, apressei o passo até ficar lado a lado com ela.  Então, andando, eu disse:
- E aí, tudo bem.
Ela respondeu que sim, me pareceu simpática.
- Conhece uma cantora chamada Regina Spektor?
- Não.
- Nossa! Tu é muito parecida com ela.
Sorrimos e seguimos e conversamos. Sentamos sob a sombra de uma árvore e ficamos ali. Achava ela linda. A tarde seguiu tranqüila.
Todas as bandas, todas as pessoas, e até as dificuldades, tudo foi ótimo.
No fim o Júpiter cantou sobre como aquele Lugar era Do Caralho. Foi bonito todos cantando juntos com ele uma Canção pra Dormir, foi um símbolo das coisas boas que uniam toda aquela gente.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Defeito Especial






A gente estava acampando em um lugar muito massa, cachoeira paraíso, uma pedra enorme, da altura de um prédio de uns 3 andares com uma cachoeira escorrendo por cima, e acho que bati minha camera e ela ficou com um defeito especial onde uma onda de energia, ou algo do tipo, ficava cruzando a imagem.O bom, eu acho, é que durou pouco e logo ela voltou ao normal, pelo menos consegui tirar algumas fotos. Aqui apresendo algumas edições que fiz em duas imagens desse dia. Essas são fotos das fotos que revelei.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Júpiter Maçã em Pelotas 25/08/10

Ontem fui ao show do Júpiter Maçã. Flávio Basso. Conheci o trabalho dele com o que, doze anos de idade? Na banda Cascavelletes. Aquilo foi a perfeição da música pra mim durante anos. Muitos anos. Rock and Roll. Sexual. Divertido. Os caras sabiam fazer um som melhor do que ninguém. Levei muitos anos pra conhecer o trabalho solo dele, sob o nome de Júpiter Maçã. E mais um tempo pra assimilar e curtir. Porém, depois que comecei a gostar passei a achar o Cascavelletes mais infantil. O som do Júpiter é mais maduro, psicodélico, sagaz, irônico e agradável.
A primeira vez que eu o vi tocar ao vivo foi em 2009, eu acho, aqui em Pelotas. Com o Thunderbird no baixo. Eu não sei direito quem é o Thunderbird, mas costumava ver ele na MTV anos atrás, e ouvi, não sei onde, que ele participou de várias bandas true. Enfim, lá estávamos nós, na cervejaria, uma antiga fábrica que agora é local de eventos. Festas. Grandes. Todas as pessoas da, digamos assim: “cena rock/alternativa” de Pelotas estavam lá. O que não é grande coisa, ainda assim, é a parcela da população daqui que gosta de rock. Haviam pílulas, pó, fumo, cerveja e vodka barata, por toda a parte. O show atrasou umas 3 horas, depois o Júpiter chegou com a banda, muito bêbado, velho comparado com as fotos em que eu tinha visto ele, até aquele dia, mas com muita presença de palco. A voz também já não era mais a mesma, mas ainda assim foi um show do caralho. Curto, mas, do caralho!
Um ano ou mais ou menos isso depois, ontem, fui de vê-lo novamente. Eu e minha namorada, a mesma que foi comigo no primeiro show. Sem dinheiro, sem bebidas, numa quarta-feira, sendo que ela tinha que ir pra São Lourenço pela manhã, bem cedo, para trabalhar. Dessa vez o show ocorria num bar que fica quase em frente a universidade católica. Particular. Zona preenchida pelos playboys. Uma cerveja $5. Entrada $15. O show atrasou de novo, mas dessa vez tínhamos pressa. Só queríamos ver o Júpiter, mas antes tinha uma banda que ia abrir pra eles. Divergência. Até que curti o som dos caras, eles sabem dar ritmo à música, sabem trocar de ritmo no meio da música. O vocal grita bem. Afinado. Mas fiquei com a impressão de que as letras não prestavam. E tocaram covers demais. Demais.
Tudo piorou quando o Júpiter chegou. Com a mesma roupa do show na cervejaria. Um casaco estilo de banda marcial. Algo montado. Fiquei com aquela impressão de estar sendo passado pra traz. Ele parecia sóbrio. Gordo. Fiquei olhando pra ele, decepcionado. Procurando o Júpiter ideal, por traz das músicas que eu ouvi por tantos anos. Havia uma criançada na fila da frente, perto de onde estávamos, e eles ficavam tirando fotografias com suas máquinas digitais, com flashs, sem parar, sem respeito. Eu olhava para o júpiter, com seu tórax enorme, barriga, poucos cabelos, ignorando tudo aquilo, se esforçando, se contendo. Pode ser que fosse paranóia minha, mas fiquei com essa má sensação de que ele e aquelas pessoas estavam conseguindo acabar com tudo, ele ali se vendendo pras crianças, tendo que tolerar tudo aquilo. As músicas simplesmente não tinham significado algum. Eu não conseguia sentir prazer em ouvir as canções daquela voz desafinada, pra aquelas pessoas. Um cara com uma barba grande, alargadores nas orelhas, um estilo assim como o Jimi do Matanza, motoqueiro, sei lá, pseudo-machão, ficou bem na frente do palco, se escorou, deitou pra trás fazendo uma expressão que penso que ele supunha ser uma “cara de mau”, ou algo assim, e bateu uma foto com sua câmera digital de 10 mega pixels, e flash, da sua expressão séria de malvado, com o Júpiter atrás de si, “olha como eu sou mau com o Júpiter atrás de mim, eu vivo loucamente”.
Depois de umas 5 ou 6 músicas eu e ela resolvemos sair de tão de perto do palco, as pessoas nos empurravam e o som era muito alto pra um lugar tão pequeno. Fomos mais pra trás, bem mais pra trás. Dois caras, um grande e alto, maior que eu, e um médio. Os dois muito bêbados, o mais alto e mais irritante com uma cara de “moro com a minha mãe até hoje, ela aprova tudo o que eu faço mesmo eu sendo um idiota; absorvi todos os preconceitos machistas do meu pai; não sei nada sobre tratar as pessoas com dignidade ou respeito”. Ele gritava ao final de cada música, coisas como: “Filha da puta!” Ou “vai se foder!” Ou “namorado!” Essa última eu não sei o que significava na cabeça dele. Mas ele repetia muito. O médio estava mais bêbado, acho que ele não conseguia perceber quando uma música começava ou terminava e só gritava após o alto gritar. Não dizia nada de mais, apenas olhava pro Júpiter e urrava insanamente. Em seguida a banda começou a tocar “querida superhist” se eu não me engano e no meio do negócio o Júpiter estimulou o pessoal a bater palmas num ritmo, fazendo a percussão da música e tudo. Os dois macacos, o alto e o médio, batiam palmas como zumbis. O pior de tudo é que estava evidente que eles e muitos outros sequer sabiam quem era o Júpiter ou o que diabos acontecia ali.
Saímos antes to término é claro. Ela chateada por serem já 3pm e eu decepcionado com tudo. Falei pra ela um pouco disso tudo que eu disse aqui:
- Não era pra ser assim, ele devia estar num banco ou algo assim, tocar as músicas com algum sentimento, pra uma galera que soubesse apreciar. E não querer parecer jovem e ativo e gay e cool e style pra criançada.
Pude ver que ela concordava um pouco comigo pela expressão facial.
- Tu não gostou de nada mesmo?
- Eu estou triste e decepcionado.
- Tu ta ficando velho.
- Prefiro ser velho a compactuar com isso que eles estão fazendo. Prefiro ficar em casa. Vou gastar todo o meu dinheiro numa internet, tu vai ver.
- Tu precisa de internet mesmo.
- Outra coisa, ele ficou cantando muitas do Plastic Soda.
- É. Eu gosto mais do júpiter bossa, maluco, psicodélico e brasileiro.
- Eu reafirmo que esse negócio de fazer letra em inglês é coisa dessas pessoas, tipo esses caras do death metal, que se acham os malvados, que fazem umas letras ridículas, infantis, sobre ódiozinho e morte, e que nem o próprio bom senso deles os deixa dizer, cantar, essas porcarias, em português, por que eles sabem que todo mundo riria. Eles sabem que é ridículo.
Nós fomos pra casa e dormimos. Sair de lá foi bom. Não sentir pena do dinheiro dos ingressos foi bom. Ir pra casa e descansar foi bom. Nossas roupas, cabelos e peles fediam a fumaça de cigarros, com todas a 4000 substâncias tóxicas e conservantes, o que sempre me lembra o cheiro de veneno de barata. Nenhum de nós dois fuma.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vendo uma alma semi-usada. Frete grátis. Depósito bancário, Cartão ou Boleto.

Obcecados, loucos, desatinados, esclerosados...

“PORRA! CARALHO! CHEGA!”
É o grito. Mas não grita.

- Simples assim?
- Claro, simples, por que é conveniente oras.

Obcecados, maníacos, deprimidos, movidos ou parados à pílulas... ou álcool.

- Ah merda, que tédio.
Na televisão: tédio.
Na rua: tédio.
Em casa: tédio.
No trabalho: falta de significado e de perspectivas.
No rádio: nem te respondo.

- Pra onde foram as coisas interessantes da vida?
- Bem, primeiro você colocou todos os seus ideais nas suas projeções futuras, ou sonhos e planos, como você as chamava.
- Hum, lembro. Nossa! Como eram lindos.
- Eram não é?
- Sim, ainda brilham, mas se tornaram inatingíveis. O que houve?
- Bem, depois você trabalhou por eles, o que te desviou deles como objetivos centrais. O trabalho acabou tomando o lugar deles.
- Sim, lembro.
- Depois vieram os filhos e tomaram aos poucos o lugar dos seus sonhos.
- Sim, mas eles eram lindos também.
- É. Eram sim. O que acha deles agora?
- Prefiro... prefiro não falar sobre isso num momento tão delicado.
- Sei.

Malucos obsessivos, disléxicos, abobados, ignorantes...

Fiscais, donas de casa, empresários, vendedores, operários e funcionários em geral. Ah porra, a cidade toda duma vez.

- E esse buraco no seu peito?
- Não sei.
- Como assim?
- Ah, ele apareceu aí mas não faz nada demais.
- E não dói.
- É só dor.
- E não atrapalha pra trabalhar.
- Um pouco, mas aí quando eu chego em casa finjo que ele não existe olhando pra tv.
- E funciona?
- Às vezes é foda. Aí tenho que encher a cara ou foder um pouco. Antigamente eu ligava pra alguém da família ou olhava fotos, mas isso não funciona muito bem.
- Já tentou passar um pouco de alegria?
- Ninguém vende isso!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A poesia

A poesia voltou.
Eu procurei por ela nas últimas semanas.
Nas últimas coisas que eu tinha escrito.
Nas páginas e páginas sem sentido do caderninho vermelho.
Procurei por ela no meio de um
monte de pensamentos confusos,
pelos dias...
Mas ela sempre me abandona em meio à
preocupações.
Ela voltou hoje de manhã,
quando eu parei de procurar
por ela,
por ELA,
por qualquer coisa,
depois de dias,
quando eu finalmente
relaxei.

Chove e faz frio aqui no sul,
e eu num banho quentíssimo,
ao meio dia,
ela voltou
pra mim.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Divagando, porque ditirambo é coisa do álcool

As pessoas são uma merda.
Eu também.
Pior é que dava pra fazer as coisas
direito.
Mas é só alguém abaixar a guarda
e lhe virá um soco na boca, ou no
estômago, de onde menos
se espera.

Onde estão as garotas que prestam?
Mulheres não sabem nada sobre beleza,
homens não sabem nada sobre amor.
Mulheres de batom sempre me lembram
macacas.
As vezes me entendo como sofredor,
daí me levo a pensar em pessoas
com problemas de verdade.

De qualquer forma não acho que as coisas
vão bem. Nem pros que dormem agora
aquecidos e alimentados, que gozam com rabos
de academia.
Fartura de uns é a miséria de outros.
Quando acho que já sei alguma coisa
cometo um erro de principiante.

Preciso arranjar um lugar onde eu possa
deitar a noite
e encarar as estrelas,
nos olhos,
uma por uma.

Já me disseram - Você tem tudo, não vê? -
Só pode ser isso porra!
Por isso que eu me sinto tão vazio: não sabemos
dar valor à nada que possuímos.

Viva a música, as estrelas, a idéia de beleza,
os mares, os canyons, Angelina Jolie com 20 anos,
Beethoven, a morte e todas essas coisas que jamais
se poderá possuir.

Definitivamente,
as coisas soam melhor quando bebo
antes de sacudir essa
caneta.